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COLUNISTAS - Alessandro Pinesso
O que faz uma cerveja ser “especial”?
15/08/2013

Foto: Divulgação

Birra Filosófica - Cervejas e outros alimentos do espírito

Para estrear no Gastrovia com o pé direito, falarei de alguns aspectos que separam uma cerveja especial de uma bebida produzida em massa. Há exceções, para melhor e para pior, tanto nas especiais como naquelas produzidas em grande escala. Mas, o que citarei em seguida funciona como um apanhado geral destas diferenças.

Logo de cara, o que salta aos olhos é o preço, que é maior por diversos motivos que vamos esclarecer daqui a pouco. Em alguns casos, a diferença também se manifesta em embalagens e rótulos mais caprichados.

Os ingredientes de uma boa cerveja são selecionados e não há economia de malte de cevada nem tampouco de lúpulo, este último, o responsável pelo amargor e por várias características sensoriais da cerveja. Uma cerveja comum é geralmente elaborada com apenas 50% de malte de cevada. Os outros 50% são cereais não maltados, como milho e arroz. Numa boa cerveja, entram somente os melhores lúpulos e, em certos rótulos, até mesmo as flores da planta, mais delicadas e aromáticas. Com as comuns, isso jamais acontecerá.

Boas cervejas são elaboradas com culturas de leveduras próprias, algumas centenárias. A levedura, ou fermento, é o conjunto de microrganismos que se alimenta dos açúcares contidos nos grãos de malte, gerando álcool e gás carbônico. Nas cervejas de qualidade, são também responsáveis por uma boa parcela dos elementos de aroma e sabor da bebida. Nas comuns, esta influência mal se percebe, pois, como dito antes, somente 50% dos cereais utilizados são maltados.

Uma cerveja digna de nota pode levar meses ou até vários anos para ficar pronta. As industriais saem da fábrica em poucas semanas. Todos esses aspectos – tempo, ingredientes, processos, profissionais especializados – implicam em custos mais elevados. Isso sem falar em termos de escala, pois, como se sabe, quanto maior a quantidade, menor o custo unitário.

No caso das cervejas trazidas de fora, há ainda o imposto de importação, de 20%, mais outros impostos “em cascata” como IPI, ICMS e PIS/Confins, além, é claro, do frete. Os estrangeiros ficam abismados quando se deparam com essa verdadeira Niagara tributária, talvez única no mundo.

O brasileiro passou décadas sendo estimulado a consumir cerveja barata em grandes quantidades. Degustar uma cerveja é algo relativamente novo por estas plagas, mas, como dizem os confrades cervejeiros, a revolução já começou. Quem aprecia boa comida e boa bebida percebe a diferença, mesmo não sendo especialista no assunto. É um caminho sem volta, beber menos para beber melhor.

Saúde e até a próxima!

Alessandro Pinesso é sommelier de cervejas formado pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e Association de la Sommellerie Internationale e Mestre em Estilos Cervejeiros pelo Instituto da Cerveja Brasil, associado ao Brewers Association dos EUA.


 

Comentários
Patricia em 15/08/2013 às 16:48
Fantástica a coluna, adorei o texto!!
Maurício em 15/08/2013 às 17:32
Muito bacana a matéria
Rafael Silva em 15/08/2013 às 18:29
Meus sinceros parabéns !!! Matéria ótima...
André Morales em 21/08/2013 às 23:53
Parabéns pela matéria! uma simples e direta explicação sobre cervejas especiais, muito bom! cheers
José Luiz em 17/09/2013 às 13:57
Parabéns, ótima explicação!
Débora Fernandes em 17/09/2013 às 14:20
É mesmo um caminho sem volta e a curiosidade e o interesse só vão aumentando! Ótimo texto e linda profissão,rs!
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