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COLUNISTAS - Alessandro Pinesso
Cervejas com algo a mais
02/12/2013

A escola cervejeira belga é especializada em adicionar ingredientes outros à cerveja além do quarteto água, malte, lúpulo e levedura. O estilo conhecido por witbier (em flamengo) ou bière blanche (em francês), apreciado em todo o mundo, é produzido com maltes de trigo e cevada e adição de raspas de casca de laranjas Curacao e sementes de coentro assadas. Trata-se de uma bebida de coloração amarelo pálido, turva (não é filtrada), porém leve e refrescante, de acentuado sabor cítrico, ideal para os dias mais quentes e para acompanhar pratos como saladas, peixes e carnes brancas.

No Brasil, temos uma versão interessante deste estilo, a Taperebá Witbier, criação da Amazon Beer, localizada em Belém do Pará. O inusitado vem do ingrediente extra: saem a laranja e o coentro e entra o taperebá, a versão nortista do cajá. O resultado final é um pouco mais adocicado se comparado a uma witbier clássica, mas ainda muito agradável, com nuances de lima e limão.

O estilo witbier, por definição, traz a adição destes ingredientes. Alguns mais ousados introduzem novos ingredientes em estilos clássicos que, na origem, não contêm nada além dos quatro elementos principais da cerveja. Recentemente, degustei três rótulos da mesma Amazon Beer com esta proposta: Stout Açaí, IPA Cumaru e Red Ale Priprioca. É um tanto complicado avaliar cervejas elaboradas com ingredientes de sabores que desconheço, à exceção do açaí. Mas, enfim, vamos a elas.

A Stout Açaí apresenta líquido negro, com espuma mais espessa e escura que uma stout regular. No nariz, a fruta sobressai, com tostado e café em segundo plano. Na boca, o amrgor do tostado entra em choque com o adocicado e adstringente da fruta, um pouco desbalanceado, mas sem comprometer. O final é seco e amarra um pouco a boca, como banana verde. Os 7,2% de álcool ficam muito evidentes quando gelada, ressaltando a necessidade de consumo na temperatura certa, ou seja, fresca. No geral, é uma boa cerveja, que ainda preserva as características sensoriais do estilo.

Já as outras duas, IPA Cumaru e Red Ale Priprioca, não emplacaram. Embora elaboradas com matérias-primas de qualidade, a fruta sobressai e anula os demais ingredientes, descaracterizando os estilos base. A IPA Cumaru, devido ao adocicado da fruta, não tem boa drinkability, cansa depois de alguns goles. A Red Ale Priprioca apresenta aroma amadeirado interessante, mas, na boca, não agrada e o aftertaste, muito terroso, incomoda. Na feira Brasil Brau, em 2011, provei também a Forest Bacuri, que apresenta problemas semelhantes devido ao adocicado. Talvez a receita tenha mudado desde então, a conferir.

A iniciativa da Amazon Beer merece aplausos e incentivo pela ousadia, mas creio que é necessário um estudo mais aprofundado do uso destes frutos amazônicos na elaboração de cervejas. Com alguns ajustes, creio que ficarão muito boas. E que venham as próximas!

*Alessandro Pinesso é sommelier de cervejas formado pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e Association de la Sommellerie Internationale e Mestre em Estilos Cervejeiros pelo Instituto da Cerveja Brasil, associado ao Brewers Association dos EUA.
 

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