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COLUNISTAS - Alessandro Pinesso
Como é uma degustação de cervejas?
04/06/2014

Degustar cervejas fica ainda mais interessante quando há harmonização com gastronomia. Foi essa a proposta do evento realizado no dia 29 de maio. A importadora Bier&Wein e o Hotel Radisson Faria Lima promoveram a segunda edição da Confraria Radisson na capital paulistana. A degustação foi conduzida por duas sommelières da importadora, que informavam os presentes sobre cada cerveja e indicavam o acepipe correto para acompanhar as bebidas.

Foram servidos seis rótulos distintos, todos de origem europeia. A primeira cerveja foi a Erdinger Kristall, uma cerveja de trigo filtrada, daí o nome Kristall, já que a cerveja de trigo clássica é turva, portanto não filtrada. Essa variação do estilo weizenbier agrada sobretudo àqueles que se incomodam com a forte presença de cravo e banana no perfil sensorial das cervejas de trigo. Suave e refrescante, foi harmonizada com cuscuz de palmito. Embora agradável, não houve influência perceptível sobre a cerveja, ambos por demais neutros.

A segunda harmonização da noite uniu a tradicional 1795, legítima Bohemian Pilsener da República Tcheca, servida com batatas preparadas com maionese, mostarda e Kummel. Nesse caso, houve um bom contraste entre as notas maltadas da cerveja e o picante da mostarda, numa combinação saborosa.

Em seguida, provamos a alemã Warsteiner Dunkel, escura, com notas de café, porém corpo leve e baixo teor alcoólico. O acepipe escolhido para acompanhamento, robata de salsicha, não interagiu com a cerveja, não havia elementos em comum nem tampouco contrastes. A meu ver, foi uma escolha pouco interessante, um assado combinaria melhor.

A quarta cerveja foi a melhor da noite, Steenbrugge Blond, umas das melhores cervejas de abadia belgas que já provei. Complexa, aromática, com notas condimentadas, agrada muito, tanto no nariz como na boca. A harmonização escolhida foi pasta de atum com torradas, com um ramo de tomilho por cima. O perfil condimentado da cerveja se uniu ao sabor particular do tomilho, criando um terceiro sabor muito agradável. Além disso, a textura um tanto borbulhante da cerveja, que lembra certos espumantes, foi suavizada pela cremosidade do atum. Muito boa escolha.

A próxima cerveja é uma verdadeira instituição belga, Rodenbach Caractère Rouge, uma Flanders Red Ale elaborada com cerejas, framboesas e cranberry, maturada por dois anos em barris de carvalho. Ácida, com aroma de frutas vermelhas e um toque adocicado, lembra muito os vinhos da Borgonha, daí a alcunha “Borgonha da Bélgica”. Para acompanhar, finger de salmão e sour cream. Assim como na harmonização anterior, a textura do sour cream “cortou“ a acidez da cerveja, belo resultado. No geral, cervejas ácidas belgas casam muito bem com peixes.

Para finalizar, uma cerveja inglesa elaborada com flores de pêssego, Badger Golden Glory. É o tipo da cerveja que vale como curiosidade, mas com o adocicado, muito presente, é um tanto cansativo, parece artificial. O doce que a acompanhava, tartelete de creme com frutas amarelas, cortou um pouco o adocicado da cerveja, o resultado agradou.

Eventos como este são importantes para elevar o status gastronômico da cerveja, oferecendo rótulos diversificados, de perfis bastante distintos. Que venham os próximos!

*Alessandro Pinesso é sommelier de cervejas formado pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e Association de la Sommellerie Internationale e Mestre em Estilos Cervejeiros pelo Instituto da Cerveja Brasil, associado ao Brewers Association dos EUA.

 

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